1Jun2009 - 01:38
Júlia
Júlia é um nome originário do latim que significa CHEIA DE ENERGIA.
Há mais ou menos 9 meses atrás eu vi um documentário no canal GNT que falava sobre os novos bichos de estimação. E eu, como sou apaixonada por bichos resolvi parar para ver.
Fazia quase dois anos que o meu cachorro havia morrido e eu estava realmente pensando em comprar outro animal de estimação para mim, mas que não fosse um cachorro. Não que eu não goste de cachorros, muito ao contrário. Sou apaixonada por eles. Mas eu não queria substituir o B. Não me sentia preparada para um novo cachorro.
E foi justamente a chamada "NOVOS bichos de estimação" que tanto me chamou a atenção.
Lá pelo programa passaram cobras, lagartos, micos, ferrets, porquinhos da índia, aves ecoelhos. Eu nunca havia imaginado ter um coelho na minha vida, mas quando vi o coelho da menina me apaixonei pela idéia. Ela ainda dizia que eles eram muito dóceis, fáceis de criar, que não faziam barulho, que não precisavam de tanta atenção como os filhotinhos de cachorro e etc. Foi então que eu pensei que esse seria o meu novo bicho de estimação.
Saí da sala e fui direto para a internet procurar sobre coelhos. Os tipos de raças, alimentação, acomodação e tudo o mais que eu precisava saber para cuidar desse bichinho.
Somente nesse dia eu descobri que existiam as raças dos mini coelhos e foi amor a primeira vista. Lembro que isso foi num domingo à tarde e que eu passei horas procurando alguém que vendesse os tais mini coelhos aqui no Rio e lá pelas 21:00 foi que encontrei um anúncio da Raquel.
Liguei imediatamente pra ela e perguntei se eu poderia ir até lá para ver os filhotinhos. Combinamos um lugar e lá fomos amore e eu embaixo de chuva num domingo a noite comprar o meu coelho. (eu já falei disso aqui no Chuva)
Raquel chegou junto com a Gabriela e me mostrou os 3 filhotinhos disponíveis de Mini Lop. Eu perguntei logo se havia algum macho e apenas um deles era macho. Peguei o coelhinho macho disposta a trazê-lo para casa, mas uma coelha com orelhas caídas e olhos pidões praticamente me implorava para que eu a levasse.
Eu nunca tive um bicho que fosse fêmea. Não me perguntem pq. Tirando a Lua, uma pastora alemã linda, que nem era propriamente minha, eu nunca havia cuidado de uma fêmea. Sempre optei por machos. Achava que fêmeas davam mais trabalho.
Mas enfim, coloquei o macho de volta na gaiola e me rendi ao apelo daqueles olhos.
Voltei pra casa olhando praquele bichinho tão indefeso tentando pensar num nome para ela. Mas não me vinha nada na cabeça. Ela foi a sensação aqui de casa desde o segundo em que colocou aquelas patinhas aqui dentro.
Suas orelhas enormes e caídas faziam um mega sucesso juntamente com seus enormes e redondos olhos amendoados.
Uma semana se passou e a coelha ainda não tinha nome. Ao menos para mim, pq a minha mãe cismava em chamá-la de Mel. Eu adoro Mel, mas tive uma rata com esse nome e não queria repetí-lo.
Numa segunda qualquer, passou na Globo um filme de uma menininha que é raptada durante um vôo e o nome dela era Júlia.
Pronto, pensei. Júlia! Esse será o nome dela.
Os dias foram passando... e ela começou a atender o chamado. Não importava se era Júlia, Júlia Maria ou Júlia-Júlia-Julieta (sim, eu fazia isso e cantando).
Júlia iluminou a minha casa e a minha vida por míseros 9 meses... Na sexta a noite ela simplesmente parou. Parou de comer, parou de beber água e só andava quando era forçada a se mexer. Passei a madrugada toda pendurada no telefone e na internet atrás de algum veterinário que atendesse coelhos e a resposta era sempre a mesma quando eu fazia a pergunta: NÃO ATENDEMOS.
No sábado de manhã eu consegui falar com o Felipe, um amigo meu que é veterinário e atende animais exóticos (sim, coelho é considerado exótico), mas assim que desliguei o telefone a Júlia começou a passar muito mal e morreu nos meus braços enquanto eu corria para o carro encontrar com o Léo.
Eu nunca mais me esquecerei do tamanho da minha dor naquele momento. Aquele bichinho nos meus braços, o meu choro desesperado e os meus gritos.
A única coisa que eu conseguia perguntar era se ela realmente havia morrido. Eu apalpava seu corpo tentando sentir algum batimento cardíaco, por mais fraco que fosse e colocava meu ouvido perto da sua boca e nariz para ver se sentia alguma respiração. Nada.
Eu pensava no que a Raquel havia me dito quando eu a comprei, dos conselhos sobre a comida, sobre o frio, sobre a chuva... Ela me disse tb que um coelho bem tratado viveria em torno de 8 anos. E eu ficava repassando cada momento tentando achar onde é que eu havia errado com ela. Graças a Deus não consegui enxergar uma falha. Júlia sempre foi tratada com o melhor, como todo o amor, carinho e atenção. Só ficava do lado de fora quando estava calor, fora isso estava sempre dentro de casa. Comia a melhor ração, vegetais frescos, tinha os brinquedinhos que ela amava e muitos, muitos paparicos.
Não consigo entender como é que ela ficou tão mal assim tão de repente.
Só sei de uma coisa... Apesar de amar bicho eu não compro e não quero mais nenhum.
Parecia que eu estava sepultando alguém da minha própria família e eu não quero mais sentir isso.
Não estou conseguindo postar uma foto dela, mas tem no post que eu fiz sobre ela.
♥ Júlia - 21/08/2008 a 30/05/2009 ♥
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